sexta-feira, 28 de julho de 2017

ESPANTO

                                         Imagem: © Luis C Lira


Quando no meio da noite
ouço o barulho de trovões
sinto meu coração
estremecer de saudade.
Estar vivo é mesmo incrível!
Pela direção do vento
minha avó sabia dizer
se a chuva seria forte ou mansa.
Eu a olhava admirado,
achando incrível o poder que ela tinha
de domar o tempo:
- Vou pegar as velas, porque
a chuva de hoje é brava.
Abria a porta e deixava
os cachorros entrarem
para dormir dentro de casa.
Nenhum latido enquanto a gente cantava:
"A treze de maio na cova da Iria
no céu aparece a Virgem Maria".
O som da água batendo
forte sobre o telhado,
trovões partindo o céu ao meio
e todos nós sentados, como filhos obedientes
de um Deus colérico.
Nossa Senhora das Dores
rogai por nós,
mantêm nossa casa de pé.

(Wendel Valadares)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

UM CÉU ESTRELADO DO TAMANHO DO SEU ABRAÇO



Vó,

todas as noites, quando olho pro céu
vejo teus olhos, velando por mim.
Como sempre foi.
Como sempre será.

Aqui embaixo, por enquanto, só dói.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

"SOZINHO NO MUNDO, SEM TER NINGUÉM"

"[...] Pois no dia em que "ocê" foi embora, eu fiquei
sozinho no mundo, sem ter ninguém,
o ultimo homem no dia em que o sol morreu".

(O último pôr-do-sol - Lenine & Marcos Suzano) 


                                     Imagem: © Joel Robison

Não houve abraço
Não houve aceno
Não houveram lágrimas.

Você se foi - apenas indo -
como uma navalha
que passa decepando os fios,
interrompendo as ligações,
cortando os laços.

Eu fiquei - apenas ficando -
olhando o tempo engolir o sol,
prevendo o inverno,
esperando o futuro,
sozinho.

Você, no mar - navegando.
Eu, no cais - esperando.

Esperando...
     Esperando...
         Esperando...


(Wendel Valadares)